segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

PÉROLA NEGRA

Foi pelo seu sorriso nos lábios que me encanteiSua cor negra, assim como a noite, representa o mistério, a energia que está no estigma, a essência que não é dadoa perceber na sua inteireza...pelo meu simples olhar humano!Seus cabelos se assemelham a um poema fechado, longo e imperceptível, em que amor e ódio entrelaçados sejam a síntese da discordância. Sua voz é como o canto da Deusa Oxum,Rainha da Águas Doces, da riqueza, esposa de Xangô. Assim como os antigos poetas românticos, sonho acalmarminha alma, sob a paz do seu cheiro; Que o sol de seu sorriso,Oh Pérola Negra !!! filha da Diáspora, tu és a mais perfeita tradução do que eu entendo como real beleza brasileira.* Versos dedicados e inspirados em Hildene, minha colega de faculdade, uma das mulheres mais lindas que eu conheci.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Chamem o ladrão

O poeta Chico Buarque, nos anos de chumbo da ditadura compôs Acorda Amor, uma das músicas mais representativas do medo que os ativistas da esquerda sentiam na época da ditadura, foi composta quando Chico usava o pseudônimo Julinho da Adelaide para driblar a censura. Acorda Amor é um retrato fiel aos fatos ocorridos no período que teve seu ápice entre 1968 (logo após a decretação do AI-05) e 1976 quando, teoricamente, a tortura já não era mais praticada pelos militares. Diversas pessoas sumiram durante este período após terem sido arrancadas de suas casas a qualquer hora do dia ou da noite, e levadas para DOPS e DOI-CODI´s espalhados pelo Brasil. A falta de confiança era tão grande que as pessoas tinham mais medo dos policiais (que seqüestravam, torturavam, matavam e, muitas vezes sumiam com corpos) do que de ladrões. A ironia do compositor é tão grande que, quando os agentes da repressão chegam a casa chamam-se os ladrões para que sejam socorridos. A policia militar de Goiás completou seu sesquicentenário no ultimo dia 28 de julho, ela fora fundada em 1858. Policia é um vocábulo de origem grega, politeia, e passou para o latim, politia, com o mesmo sentido: governo de uma cidade, administração, forma de governo. No entanto, com o passar do tempo, assumiu um sentido particular, passando a representar a ação do governo, enquanto exerce sua missão de tutela da ordem jurídica, assegurando a tranqüilidade pública e a proteção da sociedade contra as violações e malefícios. Ou seja, a policia surge com o Estado, sendo ela o instrumento repressão de uma classe sobre a outra. Fatos recentes nos chamam a fazer uma reflexão acerca do papel da policia e mais, o que realmente é esta tal de segurança publica, no Brasil? Execuções no Rio, Paraná, grupos de extermino em São Paulo, abusos policiais em Goiânia. E mais recentemente em Anápolis, fato que me motivou a escrever a respeito do assunto. Um grupo de policiais do GOE, que nos faz relembrar as siglas da Dura, àqueles que usam e andam, com roupas e carros pretos e estam sempre com cara de mau. Pois bem estes referidos policiais, entraram numa “Lan House”, no ultimo dia 30, local onde só encontramos senhores da 3ª idade trocando mensagens no MSN, ORKUT ou travando batalhas no Country Strike e agrediram os que lá estavam e mandaram os senhores para a escola, santa ignorância, será que eles não sabem que as escolas estão em férias... Este caso da Lan House é pequeno, mas não sem importância, perto do outros acontecidos recentemente, que demonstram que precisamos repensar o papel da policia. Apesar da historia nos provar epistemologicamente que a instituição policia serve como o braço forte do Estado Burguês, para manutenção da dita ordem é preciso trazer à luz da analise, este debate. O que se ensina na academia de policia? Por que há condutas autoritárias por partes do agente da segurança publica? São perguntas que não devem faltar para construção de uma nova política de segurança. Corregedoria civil, externa é uma resposta rápida que pode ser dada à sociedade. Pois segundo dados da própria policia só em Anápolis, 37 policiais receberam denuncias de abusos de autoridades, mais do que em todo ano passado, no entanto nos sabemos que a maioria da vitimas não registram queixas por medo de represálias, este articulista que vos escreve, já sofreu, e isto é uma denuncia, violência policial e não denunciou... Este debate precisa ser feito por todos nos cidadãos. Aguardamos respostas rápidas, com a palavra o Estado Brasileiro.

sábado, 21 de junho de 2008

Há tempos são os jovens que adoecem

Se já não bastasse a crescente onda de violência contra a juventude, agora assistimos atônicos a mais uma caso que, nem sei se podemos dizer que nos choca, pois parece que a violência em todas as suas formas se tornou banal. O mais recente caso deixa claro que algo precisa ser feito. Integrantes do exercito brasileiro, instituição que deveria proteger a pátria e seus cidadãos, “contribuíram” para o assassinato de três jovens detidos no sábado da semana passada, no Morro da Providência, no Centro, Rio de Janeiro. Sete soldados, três sargentos e um oficial teriam "vendido" os rapazes a traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi, de uma facção rival. Os corpos foram encontrados domingo 15, à tarde no Aterro Sanitário de Gramacho, em Caxias, com vários tiros. E notório a falta de compromisso do Estado brasileiro, em todas as suas esferas quando o assunto são políticas publicas para juventude. Trazendo a discussão para nossa “aldeia”, aqui são inúmeros fatos/mortes de jovens que ainda esperam esclarecimentos. Faltam políticas publicas para juventude. Notamos apenas uma ação desenvolvida pela atual administração. O Centro da Juventude de Anápolis acaba sendo um programa que “apenas” forma aquilo que, o chamado “Mercado” mais quer: Força de trabalho qualificada. Em tempo cabe esclarecer o que é o programa Centro da Juventude, criado na gestão da então prefeita Luiza Erundina (de1989 a 1992) em São Paulo de lá se espalhou pelo Brasil, só que aqui em Anápolis ele infelizmente foi descaracterizado de sua função original. Para receber este pomposo nome o Centro da Juventude de Anápolis deveria oferecer um espaço com informações, serviços, produtos, atividades, cursos, oficinas, projetos, políticas e ao mesmo tempo, possibilitar a expressão e a comunicação da juventude. Com sua implantação, a Prefeitura reafirmaria sua preocupação em construir políticas públicas para a juventude e aprimoraria as que já existissem. A idéia central é que, dando oportunidade de realizarem atividades construtivas, o jovem e a jovem se tornem cidadãos e cidadãs ainda mais participativos. O Centro deve ter ainda espaço para oficinas diversas, acervos de livros, CDS, vídeos, fotos, fanzines, centro de convivência, teatro de arena, anfiteatro, internet livre, mural de informação/divulgação. As atividades devem ser concebidas por e para jovens. Assim, será possível reunir a produção juvenil de grupos heterogêneos de diferentes atuações, gostos e tribos - hoje espalhados - para que se agrupem numa rede de relacionamentos e possam trocar experiências. Neste projeto de valorização da cultura, produção e participação juvenil, devem existir muitas pessoas envolvidas, colocando suas idéias em prática. O Centro da Juventude para cumprir seu papel institucional deve ser um espaço criado para que o jovem passe a ser sujeito da ação, de forma que possa produzir inovar, criticar e principalmente, buscar soluções que possam contribuir para sua formação, construção de sua identidade e autonomia e uma mudança na história social, não apenas um local de formação profissional. È imperativo que o atual Centro da Juventude de Anápolis passe por esta catarse e se transforme no que ele realmente deve ser: Um espaço plural e jovem. Afinal são os jovens que mais sofrem com a falta de oportunidades no Brasil, em Anápolis e no mundo. Desta forma sendo facilmente recrutados pelas organizações criminosas. Por ano no Brasil, segundo dados do Ministério da Justiça 68,4 mil jovens entre 18 e 29 anos são presos por algum delito, isso da uma média de 187 jovens sendo presos a cada 24 horas. È preciso subverter essa lógica cruel e insana e só se faz isso com políticas publicas participativa, que envolvam a juventude. Depois de 100 anos de emancipação política, Anápolis, a administração municipal deve este presente à juventude anapolina, que nunca foi assistida de uma maneira especial, no que concerne a políticas públicas de juventude. Esta deve ser pauta do dia ou cada vez mais nossa cidade perderá seus jovens talentos, para o trafico, crime e os mesmos engrossaram os tristes números das estáticas. Mas até quando? Com a palavra senhores candidatos.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

ÍNTEGRA DA INTREVISTA AO JORNAL O POPULAR. 13 DE MAIO 2008

1 - Hoje, no dia em que se completa 120 anos da abolição da escravatura, os negros se sentem libertados? R: Categoricamente não, pois além de sermos escravos modernos, algo que não se diferencia muito, daquela escravidão de anos atrás, o negro(a) sofre com aquele passado de degradação de seu figura humana. O negro não era considerado ser humano, gente, sendo assim houve a consolidação do racismo antinegro no Brasil, que o tornou praticamente indestrutível nas condições da sociedade replubicana, foi a exclusão do negro ao acesso da propriedade, particularmente àquele dos meios de produção. Na ânsia de transformar o negro em um subproletariado capaz de ser usado em quaisquer necessidades de produção e organização, reservando-o dessa forma para opô-lo eventualmente ao proletariado urbano e rural que resultaria da Nova Imigração, a classe dominante manteve (mantém) e mesmo, em certas regiões como São Paulo, agravou as condições socioeconômicas e morais do trabalhador negro(a) na escravidão. Semelhante atitude teve impacto negativo sobre o desenvolvimento social ulterior de toda a população negra. O chamado "preconceito racial"-na verdade racismo antinegro- não deriva portanto apenas do racismo no ambiente familiar. Ele expressa o domínio do racismo em todos os círculos da existência social e em cada camada de associação cultural que envolva a vida quotidiana. 2 - Por que? O que falta para a raça ser igualada aos outros? R: Bem, caro Jonathan, cientificamente falando, está provado que temos somente uma raça, a Humana. O que nos diferencias são, os costumes, tradições, linguas, etc. À etnia negra e pobre falta tudo, pois no periodo colonial o trabalho era uma atividade humilhante, a aristocracia não trabalha... com a escravidão criou-se a idéia que a etnia negra era inferior aos brancos e isso se reflete na sociedade de hoje. A desumanidade da relações societárias brasileiras espanta a quantos aqui vêm de visita. Somos um país em que o negro e pobre está desprovido de direitos econômicos e socias.É legalmente negado a cada membro dessa população o direito à saúde, à habitação e à alimentação. Ou seja, a fronteira de subsistência das pessoas passa pelo seu direito à existência, mas não garantem tal direito. Por esta razão, o discurso dominador faz uso constante das palavras "cidadão" e "cidadania", justamente porque tal não existe principalmente para etnia negra. 3 - Você acredita que as políticas desenvolvidas pelo poder público são satisfatórias? R: Quais politicas? o que temos até agora é apenas um conjunto de boas intenções, que não abalam a estrutura social no país. O Estatudo da igualdade racial foi apresentado em 1995 e esta parado no congresso, bicho são 13 anos. A expectativa de que se o vote agora, acho dificil, pois temos poucos parlamentares compromentidos com a causa, nem sei se existe uma bancada que defende os interesse da etnia negra no parlamento, como têm-se a bancada evangelica, a ruralista etc. Nós negros não votamos em negros na maioria da vezes, falta visão de que se não elegermos mais negros e negras para os parlamentos e ate mesmo o executivo, não teremos grandes conquistas, ele não farão leis que nos contemplem e modique este status quo. Não existem secretarias ( salvo a excessão no Governo Federal) diretorias, orgãos que formulem politicas públicas de médio e longo prazo para os negros e negras.4 - Hoje, quais são as lutas que o Movimento Negro de Anápolis enfrenta?R: Vivemos numa cidade que apesar de ser considerada de porte medio para grande, aqui o pensamento da maioria ainda é provinciano e conservador, até mesmo pela imigração histórica de Anápolis. Temos um Igreja Católica, bem conservadora e uma forte presença de protestante na cidade. Falta acima de tudo o debate, o dialago, por parte do poder publico em apoiar manifestações que promovam a cultura negra,( o MNA, é feito por gente que rala para caramba e sem recursos), tentamos fazer uma semana da consciencias negra ano passado 20 de novembro, mas nem conseguimos uma audiencia com o prefeito. Se não houver um apoio por parte do Poder Publico pouco ou quase nada se faz. Poderiamos estar fazendo uma semana cultural negra, com discusão sobre a Lei 10639, mas nada. Temos um caso ano passado 2007 em que iria se realizado um exposição afro e não se tinha local pois a diretora de cultura disse: Que ali (na galeria da Cultura) não era local para esse tipo de evento. Se lá não era onde seria, debaixo do viaduto é pode ser até que seria bacana...mas acabou sendo lá no Sesc. 5 - Assim como as críticas tratam outros movimentos sociais, como o movimento gay, você não acha que às vezes os representantes negros são exagerados, que há um complexo de inferioridade perante à sociedade? R: Cara o tráfico negreiro foi sem dúvida uma das maiores tragedias da historia da humanidade. Milhares de seres humanos, homens e em sua maioria mulheres ainda na idade reprodutiva, foram arrancados de suas raizes e deportados para Americas ( trafico transatlantico) e para Asia (trafico oriental e transaariano). O trauma causado por essa ruptura é incomensuravel. Além de um triste balanço das milhares de mortes ocorridas entres as localidades de captura na terra africana e os portos de embarque e entre estes paises de destino no além mar, houve tambem um desestruturação das instituições politicas tradicionais, da pirâmide demografica e consequentemente dos sistemas ecônomicos da África tradicional. O que seria a África de hoje se a de ontem não tivesse passado por séculos dos humilhantes processo de escravidão e colonização? Ninguém seria capaz de adivinhar, mas uma coisa é certa: não apenas a historia desse continente seria diferente, como a dos países que se beneficiaram do trafico foi modificada demografica, econômica e culturalmente. Em todos os países da diaspora, os descendentes dos africanos escravizados continuam sendo vitimas dos preconceitos e discrinações, alimentadas por uma ideologia racista que embora hoje não exista oficial e institucionalmente em nenhum país do mundo, sendo a Replubica Sul-Africana a última a aboli-la, existe de fato no tecido social e na estrutura mental de todas as sociedades contemporâneas. Apesar de continuarem a ocupar coletivamente posições inferiores na escala social, no mundo politico e econômico dos diversos países que eles ajudaram a construir com sacrificio de seu sangue , três coisas importantes não deveriam ser descartadas: os africanos e seus descendentes resistiram e resistem; participaram e participam; contribuíram e contribuem em diversos processos de construção desses países. Então não dá para dizer que há um complexo de qualquer coisa ante a riqueza da nossa história. 6 - Entre outros tópicos, o Estatudo da Igualdade Racial prevê cotas para negros no mercado de trabalho. O que você acha disso? R: Esta questão é polêmica demais, serve como o boi de piranha, para outras passarem...Minhão opinião é que essa cota especificamente em si não resolve, pois pela falta de politicas publicas especificas para os negros/as de qualificação sobraram apenas sub-empregos, agora defendo cotas no sistema publico, em concurso publicos, no parlamento etc. 7 - Aqui, na sua região, como o mercado de trabalho recebe os negros? R: Não recebem, suba a Av,Goiás umas das principais da cidade e me diga quantos negros/as trabalham no comercio anapolino, vá nas Casas sei la o que da vida vê se tem negro vendedor, garçons e estamos falando de empregos que sendo empregos dignos nem são o que podemos dizer o emprego dos sonhos. Sabe onde estão os negros? Nas ruas catando lixo, nos serviços gerais, nos serviços braçais como a 120 anos atrás. 8- Anápolis é uma cidade racista? Você já passou por algum experiência do tipo? R: Racista não preconceituosa, são varias experiências desagradavél, desde abordagem policial sem motivo algum, não sentam no mesmo banco que o seu no transporte público mesmo o ônibus estando cheio. Mas recentemente, ha 2 semanas atrás estive no CMTT, o policial que estava lá de serviço, isso eu lá dentro do CMTT, ele perguntou se eu ja tinha sido atendido, confirmei que sim... estava esperando um colega... e ele começou a perguntar: Qual seu nome: perguntei porque, ele falou pq sim, o quê quer aqui, me da sua identidade... intreguei à ele, ele queria meu celular para ligar para central checar minha fixa... disse que não daria, ele foi à guarita pegou o dele e ligou.Ai chegou o cara que trabalha lá e disse que eu era conhecido dele e tal... e se não fosse seria preso pq? ps:tenho fixa limpa. 9 - E nas universidades? Como você vê a cota racial nas instituições públicas? Isso não é um tipo de segregação? R: Legitima, mas não resolve o problema, não abala o status quo dessa sociedade. Senão vejamos, quantos negros/as e pobres conseguem concluirem o ensino médio, poucos, poucos chegam ai, e quando chegam, chegam mal preparados para o funil do vestibular. Tratar igual pessoas que ao longo dos anos foram tratados de forma diferentes escamotei uma forma de preconceito. Os negros e pobres precisam concorrer com seus iguais, nas mesmas condições. Imagine um garoto branco pai Médico, mãe Advogada, estuda no cursinho da vida, ter internet em casa, assinatura de jornal, revista, tv a cabo...curso de inglês e tal e agora imagina outro garoto negro, pobre... começa trabalhar as 8:h da manhã, sai às 18h vai para escola 19h as 22:30, mora na periferia chega em casa as 00:00, tomar banho, jantar depois durmir 1H da manhã para levantar 6 7 h para começar tudo de novo trabalho/escola/casa. Como ele vai competir com o outro. As cotas não devem ser só para negros mas também para pobres e de escolas publicas. 10 - Recentemente, o coordenador do curso de medicina da Universidade Federal da Bahia, Antonio Natalino Manta Dantas, disse que "falta Q.I." aos alunos daquela instituição. Disse ainda que baiano só toca berimbau porque tem uma corda só. Como o estado tem população predominantemente negra, você acha que, de alguma forma, ele atingiu a raça? R: Esse cara foi infeliz, na verdade queria tirar o dele da reta como se diz no popular, a queda na qualidade de ensino não tem nada a ver com Q I, tem a ver com sucateamento da escolas/universidade publica. Mas claro que há excessões a regra, as vezes falta interesse por parte do alunos... mas acho que isso é um outro debate. 11 - Você acredita que no futuro ainda haverá a necessidade de leis e outras políticas para combater o racismo e promover a igualdade racial ? R: Você fala o que um racismo ao contrario? Cara essa sociedade, edificada sobre estas bases, esta condenada a extinção, isso ja vem acontecendo ou mundamos o nosso modelo de "desenvolvimento" ou nem sociedade teremos. As leis precisam serem feitas agora hoje, para que meu filho e os filhos dele usufluam delas... só assim com consciencias passada para as proximas gerações poderemos acreditar no outro mundo, onde não aja a supremacia de uma só etnia, mas que todas possam viver harmonizamente, mas isso é dificil sobre este sistema.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

120 de Abolição/Da lei Áurea aos dias de hoje.

Aos 13 dias Maio de 1888, era decretada a lei, que assegurava ao menos no papel, a liberdade para negros e negras no Brasil. 120 de abolição,um século e 20 anos depois daquele Maio de 1888, o que realmente mudou de lá para cá? Qual a real divida do Estado Brasileiro para com os afro-descendentes? A escravidão acabou? Não faz nem tão tempo assim coisas de umas 3 gerações atrás o país, se deparava com pessoas sendo tratadas como mercadorias. Acorrentadas pelos pescoços, eram expostos em feiras, para os que tinham posse pudessem assim in loco avaliarem os “produtos”. O escravo variava de preço de acordo com idade/gênero/ “civilidade”. Um escravo do sexo masculino em idade ativa valia pouco mais de um conto e quinhentos mil réis na primeira metade da década de 1870, não sei nem quanto seria em reais. Mas creio que não era para qualquer um a compra de escravos. Pouco ou quase nada mudou, desde 1888, a Revolução Industrial, em conjunto com uma conjuntura nacional permeado por vários focos de resistências fizeram com que o governo brasileiro assinasse a Lei Áurea. Inglaterra, grande potencia naquela época, dava os primeiros passas rumo ao que conhecemos hoje como capitalismo. A Burguesia diante da necessidade de vender seus produtos e com um mercado europeu saturado, investe tudo numa nova tática, deveria ser aumento aquilo que conhecemos hoje com população economicamente ativa. Era preciso substituição do trabalho escravo pelo assalariado. Sendo assim Portugal pressionado pelo Império Inglês e com vários quilombos no Brasil, desmistificando a tese de que o negro aceitava a escravidão vê se obrigado a assinar a Lei Áurea. Na verdade o 13 de maio é apenas uma alegoria neste enredo chamado “Historia do Brasil”. É grande a dívida do estado brasileiro para com os afro-descendentes, na há números oficias mais se estima que mais de cinco milhões de negros/as tenham sidos trazidos para cá nos navios-negreiros. Aqui tiveram filhos/netos/bisnetos/. Prova de que o 13 de maio foi uma farsa é que o mesmo não veio acompanhado com medidas de compensação. Exploraram os negros por mais de três séculos e depois simplesmente dispensaram. Se hoje discutimos reforma agrária é porque não a fizemos lá atrás. Se hoje debatemos a introdução de políticas de reparação/cotas é porque o Brasil não fez seu dever de casa. Mandou o empregado embora e não pagou os acertos trabalhistas. É claro que a escravidão não acabou, o mesmo capitalismo que lá atrás encerou um ciclo de subordinação, também forjou novas formas de dependência, numa simbiose perfeita criou o assalariamento. E idem permite as velhas formas de escravatura. Convivemos com trabalho forçado no campo - no meio das florestas, com os desmatamentos ilegais, nas plantações de cana e até mesmo em lavouras de tomate. A isto se soma os trabalhadores/as de paises vizinhos – Bolívia, Paraguai- que migram para o Brasil em busca de uma vida melhor, mas se tornam vitimas de trafico de pessoas e em grandes centros urbanos brasileiros, especialmente São Paulo, em jornadas de trabalho forçadas, trabalhos às vezes em troca de um prato de comida. Sem falar nos latinos em especial, os brasileiros/as que se sujeitam a sub-empregos e jornadas de trabalho de até 16h na Europa e nos EUA. Mulheres brasileiras que saem daqui para serem escravas sexuais na Espanha e na Suíça. Construir novas formas de relação trabalho/homem/mulher, reparar danos históricos com os filhos e filhas da diáspora africana, com os indígenas, com os brancos, com todos que edificaram e ajudaram a construir este país é condição sine qua nom para arquitetarmos uma sociedade mais justa e igualitária, oxalá que isso aconteça.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Um Ônibus Qualquer

Depois de algum tempo lá vem o ônibus, e esta cheio. Faço o sinal característico que desejo entrar, o mesmo pára e entro. Logo na entrada o inquisitor, digo cobrador, já me julgara e sem direito a defesa fui condenado. Dou um jeito de ir me esquivando das pessoas, para assim encontrar um pequeno espaço, onde a lei da física permita prosseguir minha viagem com um mínimo de conforto. Pelas janelas, as paisagens transformam-se em alta velocidade: casas e os bairros da cidade ficam para trás como peças de roupas jogadas no chão. A cada zunir de postes, a cada metro de asfalto, o passado dos viajantes se desprende um pouco mais dos seus corpos – como casca de feridas. “É melhor eu colocar minha bolsa mais próxima de mim (sic)”, é o que pensa a mulher de meia-idade que viaja no banco em minha frente. Além de uma suposta proteção a sua bolsa ela também trata de esconder suas belas pernas que eu insistia a ficar olhando. Moradora de uma cidade onde algumas moças e senhoras vendem um falso puritanismo, ela ganha uma repreenda silenciosa do senhor de terno e abotoaduras por estar usando uma saia mais curta do que deveria. O homem por segurança ou insegurança estica um pano sobre a perna da mulher com a mão direita. Enquanto me olha de esguelha, finca o cotovelo no apoio de braço, tenta demarcar espaço. Sobre as coxas da mulher de meia-idade, agora cobertas, um menino descansa a cabeça. Ao contrário de nós, ele tem pouco a deixar para trás. E dorme e sonha como tal. No ônibus tudo me parece um presságio: as abotoaduras, o homem, o filho, a saia da mulher. Com o sacolejar do “busão”, por causa dos buracos que são muitos na minha cidade, sou obrigado a achar um local melhor e menos hostil para prosseguir a viajem. Equilibro-me no ferro no teto do ônibus e pelo corredor do mesmo avanço em passos sinuosos até o local desejado. Há cada parada pernas descem e sobem da condução. Começa a relampejar. Pela janela, a noite do lado de fora é tão escura que não se poder ver a chuva. A luz dos relâmpagos congela por um instante a paisagem e depois, devolve escuridão a um ponto da cidade que acabou a luz e ao relvado dos matos. Os raios vêm em ondas, surgem juntos para depois se esparramarem no céu como artérias, alvéolos ou ainda, como as copas das árvores nuas, pela intensidade das águas de março. Com a condução já quase vazia, vejo subitamente subir (com perdão da redundância) uma adolescente com jeito de princesa gótica, com os cabelos ruivos e olhos muito claros. Imagino que tenha uns quatorze anos. Esconde o corpo esquálido sob um, sobretudo de veludo vermelho e leva à boca um doce pirulito compondo quem sabem uma personagem de RPG. As unhas estão roídas e descascadas, o rosto é borrado de maquiagem. Pára ao meu lado e olha a janela, escara as fronteiras que ficam por trás do escuro. E me pergunta em inglês, como se despertasse de um sonho: “It is not strange”- “O quê?” – Devolvo com sua pergunta com outra. Ela como se estivesse em transe demora a responder. “Os relâmpagos. Não fazem som. Você percebe? Não se escutam os trovões. Não é certo isso de relâmpagos sem trovões” “ Deve ser porque há algo errado...”, digo. Ela nada responde enquanto, sobre o teto metálico do ônibus em alta velocidade, os relâmpagos se juntam num único feixe no céu, formando um tornado elétrico. A radiação então pinta nossos rostos de prata, o corredor e as portas fechadas atrás de nós se dilata, e a condução deixa de sacolejar, como se houvesse abandonado a terra. É quando percebemos que as estrelas ao longe já começaram a cair, inaugurando o dia dentro da noite. E assim será, até que o menino, menino que dorme sobre as coxas da mulher de meia-idade, agora cobertas pelo senhor de terno e abotoaduras, acorde desse sonho. E eu puxe corda que sinaliza ao motorista que quero ficar na próxima parada.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A era da Inocencia Ja acabou

E era da Inocência Acabou! O principal é dizer que o tempo da inocência já passou. Aquilo que não se via ou não se dizia ou se fingia não ver/dizer esta dito: RACISMO. E é hora de passar adiante. Este, por muito tempo, foi o país da democracia racial. Um país condenado ao futuro. E um futuro necessariamente de cachos louros. Levou séculos para que o Estado brasileiro pudesse reconhecer a presença do racismo como fator estruturante das relações sociais no país. E isto só acontece agora, ao final do século XX e inicio de século XXI, como resultado de um trabalho árduo, longo, vivido em profundo isolamento por nós, negros e negras. Enquanto denunciávamos o racismo; enquanto demonstrávamos a perversidade com que este definia privilégios e exclusões, vidas e mortes; enquanto éramos nós mesmos nosso próprio testemunho, o restante da sociedade permanecia em silêncio. O silêncio oculta o racismo brasileiro. Silêncio institucional e silêncio individual. Silêncio público e silêncio privado. Silêncio que nos habituamos, convencidos por vezes, da pretensa cordialidade nacional ou do elegante mito da “democracia racial”. Mito que sobrevive como representação idealizada de nossa sociedade, sinalizando com a construção de uma sociedade tolerante e inclusiva. Mito que exercita, no cotidiano, o engano e a mentira escondendo, de forma perversa e sutil, a enorme desigualdade racial do país. Infelizmente, o poder de oculta mento desse mito enraizou-se em nosso senso comum e desavisados, negamos a desigualdade e o racismo. Para os que desconhecem ou que recusaram ouvir a voz dos negros todo este tempo, há os números oficiais e recentes. E o outro lado – ou o lado do outro – vive as cenas de sempre: pobreza; doenças evitáveis e doenças degenerativas tratáveis provocando devastações em corpos e povos; acesso privilegiado ao sistema prisional e aos hospícios. Ou vivendo famintos e sedentos da seca, sem teto; meninos e meninas que vivem nas ruas, que são explorados sexualmente, jogados no vício da cola, do crack e da cocaína. Como falar de direitos humanos no Brasil sem apontar o holocausto de uma raça, por séculos seqüestrada, torturada, humilhada, dizimada, não em campos de concentração, mas, ontem e hoje, sob cotidianos olhares? Fomos os primeiros sexagenários colocados na rua, às primeiras crianças de rua e próximo de completar 120 anos de abolição de escravatura, ainda temos nossa cor associada à marginalidade, na acepção da palavra, e ao bandidismo. É o lado de dentro e o lado de fora das escolhas, do ver ou não ver ou não ser visto. Do direito a ter um serviço prestado adequadamente; das chances de sobrevivência, das possibilidades de vida digna, da cor da pele definir qual será sua condição social. Todos sabem qual é o lado dos brancos. A era da inocência acabou, já foi tarde.